minifoods

Meu primeiro projeto de food design, desenvolvido durante minha temporada na Elisava School of Design and Engineering. Depois de muitas conversas em classe e sob a supervisão de Nicole Vindel e Xavier Moron (Hidden Factory Barcelona SL), o projeto nasceu como uma reflexão sobre nossa relação com o tempo, as redes sociais e a alimentação.

De que forma temos nos alimentado? Podemos pensar essa questão a partir de duas dimensões:

TEMPO
Quando nos sentamos para comer, esse evento pode (ou não) ser vivido com tela do celular. Essa mesma tela desvia nossa atenção e altera a percepção do tempo. A lembrança de que a comida vai esfriar é substituída pela notificação de uma nova postagem de um amigo.

ALIMENTO
A natureza alimenta o nosso corpo em diferentes formas e estados - seja como raiz ou raio solar. Ao expandirmos o que entendemos por “nutrição”, voltamos novamente à tela do celular: ela também pode preencher um vazio e criar a falsa sensação de saciedade. Estamos constantemente alimentando a mente com um carrossel inesgotável de mídias digitais.

A instalação minifood propõe uma provocação sobre esse comportamento contemporâneo e questiona a ideia de que “a imagem do post” tem ocupado um lugar de saciedade maior do que a comida real à nossa frente. Ora, por que não trazer o prato da foto para o mundo real - mantendo a sua escala? Imprimi um tableset que funcionou como filtro e conectou as duas formas de se alimentar: seja pela porção real em formato reduzido, que “saltava” da tela para ser degustada durante o evento, seja pelo círculo transparente que simulava o prato - e por onde passava o feed.

Para essa composição, pensei em um menu que também se conectasse com o tempo. O hossomaki representa o tempo acelerado, algo prático e rápido de preparar. Já a pasta de hommus feita com missô faz referência ao processo de fermentação, que exige paciência e um tempo mais longo para atingir o ponto ideal.

A reação dos visitantes reafirmou a proposta da instalação: eles não conseguiam fotografar a comida disposta sobre o filtro, já que a câmera estava posicionada no lado oposto do prato - o que gerou frustração. Esse detalhe revelou o quanto estamos condicionados a registrar e postar antes de simplesmente viver o momento.

O projeto integrou um evento coletivo que reuniu outras experiências igualmente provocativas.


Barcelona, 2024

My first food design project, developed during my time at Elisava – School of Design and Engineering. After many in-class discussions and under the guidance of Nicole Vindel and Xavier Moron (Hidden Factory Barcelona SL), the project emerged as a reflection on our relationship with time, social media, and food.

How have we been feeding ourselves?
This question can be explored through two dimensions:

TIME
When we sit down to eat, this moment may — or may not — be accompanied by a phone screen. That same screen diverts our attention and alters our perception of time. The reminder that the food is getting cold is replaced by the notification of a friend’s new post.

FOOD
Nature nourishes our bodies in different forms and states — whether as a root or a ray of sunlight. By expanding what we understand as “nourishment,” we once again return to the screen: it can also fill an invisible void and create a false sense of satisfaction. We are constantly feeding our minds with an endless carousel of digital media.

The minifoods installation provokes reflection on this contemporary behavior and questions the idea that “the image of a post” has taken a greater place of fulfillment than the real food before us. So, why not bring the dish from the photo into the physical world — while keeping its scale?

I printed a table set that acted as a filter, connecting two ways of feeding ourselves: through the real, miniature portion, which “jumped” from the screen to be tasted during the event, and through the transparent circle that simulated the plate — where the feed scrolled beneath it.

For this composition, I designed a menu also connected to the idea of time. The hossomaki represents accelerated time — something quick and practical to prepare. The hummus and miso paste, on the other hand, refers to fermentation — a process that requires patience and a longer time to reach its ideal state.

The visitors’ reactions reaffirmed the purpose of the installation: they couldn’t photograph the food placed on the filter, as the camera was positioned on the opposite side of the plate — which led to frustration. This detail revealed how conditioned we are to record and post before simply living the moment.

The project was part of a collective event that brought together other equally thought-provoking experiences.


Barcelona, 2024

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